Problema Geográfico Russo
Imenso
é pouco para descrever o território russo. A Rússia é o maior país do mundo e
faz fronteira com 14 países, além de fazer fronteira com dois continentes,
sendo ele a Europa e a Ásia e a completar isto juntam-se 11 fusos horários
diferentes. É sem dúvida uma das grandes potências a nível mundial, mas o problema
geográfico é algo a que a Rússia não pode virar costas.
Muito
do êxito de alguns países perante outros acaba por depender muito da colocação
geográfica em que estão inseridos. Tomo aqui como exemplo a França cuja fronteira
noroeste é protegida pelo Canal da Mancha, a fronteira oeste pelo Oceano Atlântico,
a fronteira sul pelos Pirenéus e pelo Mediterrâneo, a fronteira sudoeste pelos
Alpes e a fronteira nordeste pelo Rio Reno. Mas, a metade leste da fronteira
norte, não possui qualquer tipo de proteção geográfica, o que deu oportunidade à
Alemanha durante ambas as guerras mundiais de invadir a França pela Bélgica e
pelo Luxemburgo, mas mesmo assim, os ataques acabaram por se centrar num só
ponto geográfico o que acabou por colocar a França numa situação mais favorável
em relação a outros países europeus.
Voltando
à Rússia, aquando da sua formação esta era bastante vulnerável, uma vez que não
tinha proteção geográfica que impedisse a entrada de estrangeiros, dado que o
território era na sua grande dimensão plano. Assim sendo, ao longo dos séculos,
a Rússia começou por se expandir para leste dos montes Urais, para sul do Cáucaso
e para Oeste das montanhas dos Cárpatos, chegando até a conquistar a Sibéria, o
que já lhe trazia uma maior segurança. No início do século XIX a Rússia já era
por isso considerada impossível de conquistar.
Apesar
de bem preparada a nível de defesa, a Rússia não se desenvolveu economicamente
ao mesmo nível que alguns dos seus vizinhos e até nisso a geografia pode ser
considerada culpada, uma vez que historicamente o poder naval está ligado ao
poder em si e a melhor maneira de os países se conseguirem projetar a nível
económico era terem uma marinha forte e desenvolvida, como era o caso do Reino
Unido, China ou Japão. Os carregamentos marítimos eram antes do século passado
o meio de transporte mais rápido para mercadorias, bens e pessoas, além de ser
o mais barato para grandes distâncias e por isso um fácil acesso a zona marítima
era importante, mas a Rússia não tinha nenhum porto de água quente onde a água
não congelasse com acesso às principais rotas, o que conduz a uma limitação.
Para
além disso, o acesso da Rússia aos oceanos ocorre por pontos estratégicos
controlados por países da NATO ou aliados. Se um dia a Rússia decidisse atacar
qualquer membro da NATO seria como se estivesse a atacar todos no seu conjunto,
devido ao pacto de defesa mútua presente no Tratado do Atlântico Norte o que
acabaria por fragilizar a economia russa.
A
planície da Europa do Norte é também uma falha no sistema geográfico russo, uma
vez que enquanto todas as outras fronteiras têm uma defesa geográfica que
previna alguma invasão de um exército estrangeiro, esta área facilita a entrada
de um exército europeu a Moscovo. Desde a queda da URSS a Rússia tem-se
esforçado para manter o poder político na região e principalmente tem usado a
sua autoridade e domínio sobre a Ucrânia de modo a conseguir utilizar o porto
de águas quente de Sebastopol, que aumenta consideravelmente as capacidades
navais russas no Mar Negro.
Mas,
a Ucrânia tem vindo a escolher um lado cada vez mais pró-europeu desde o fim da
União Soviética o que foi um grande motivo para a invasão à Crimeia, o que do
ponto de vista estratégico foi a forma que Vladimir Putin arranjou de manter o
porto de águas quente, uma vez que uma Ucrânia mais próxima do ocidente poderia
colocar um travão nisso.
Não
podemos esquecer o petróleo e o gás natural, dois bons aliados da Rússia. Os
gasodutos vindos da Rússia fornecem cerca de 40% do gás natural que vem para a
Europa, o que torna países como a Bulgária, Lituânia ou Finlândia dependentes. Por
esta razão, a Alemanha, outro país altamente dependente não tem tanto poder
para criticar a Rússia como gostaria. Para fazer face a isto a Europa tem vindo
a adquirir a sua energia virando-se para os Estados Unidos da América.
Posto
isto, podemos ver aqui que a geografia tem uma influência enorme no percurso de
um país, mas pode não o determinar e exemplo disso é a Rússia que tem vindo há
muito a ditar as suas próprias regras.


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